Clara Megre

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Tradições e Celebrações de Halloween – Parte 1

Todos os anos, chegando a outubro, começam a aparecer abóboras esculpidas, esqueletos, fantasmas, bruxas e crianças mascaradas. Em muitos lugares, a noite de 31 de outubro é sinónimo de Halloween, de festas e do pedido de doces de porta em porta.

Mas será que o Halloween sempre foi assim? E será que todas as tradições que encontramos nesta altura do ano têm a mesma origem? A resposta é não!

Muito antes de o Halloween se tornar a celebração popular que conhecemos hoje, diferentes povos tinham os seus próprios costumes para assinalar a passagem do outono para o inverno, recordar os familiares falecidos ou celebrar os santos. Alguns destes costumes foram influenciados pelo cristianismo, outros mantiveram características próprias e muitos foram transformados ao longo dos séculos.

Conhecer estas celebrações é uma oportunidade para irmos além dos disfarces e dos doces. É também uma forma de mostrar às crianças que existem diferentes maneiras de compreender o mundo, recordar quem já morreu e transmitir tradições de geração em geração! 

Neste artigo, vamos descobrir de onde vem o Halloween, como se transformou ao longo do tempo e que tradições podemos encontrar em diferentes países nesta época do ano. Uma ótima forma de trazer o mundo, a realidade e diferentes culturas às crianças. 

Onde surgiu o Halloween?

Para compreender o Halloween, precisamos de recuar vários séculos, até às tradições sazonais dos povos celtas, e conhecer também a história das celebrações cristãs de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos.

É importante esclarecer desde já que não existe uma única origem que explique todos os elementos do Halloween atual. A celebração que conhecemos resulta de uma combinação de tradições, crenças religiosas, costumes populares e transformações culturais que aconteceram ao longo do tempo…

Samhain: a passagem para o inverno

Uma das principais referências históricas na origem do Halloween é o Samhain, uma celebração sazonal associada sobretudo à Irlanda e a outras regiões de tradição celta.

No calendário tradicional irlandês, o Samhain assinalava a passagem para o inverno e o final do ciclo agrícola. Era um momento de transição entre duas partes do ano, quando os dias se tornavam mais curtos e as comunidades se preparavam para os meses frios.

O Samhain estava associado a festividades, refeições, jogos e crenças relacionadas com os mortos e os seres sobrenaturais. Segundo o folclore irlandês, acreditava-se que, nesta altura, o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos se encontravam especialmente próximos.

Estas crenças deram origem a costumes de proteção, disfarces e práticas destinadas a afastar aquilo que as pessoas consideravam ameaçador.

Como surgiu o Dia de Todos os Santos?

O Dia de Todos os Santos é uma celebração dedicada aos santos e mártires cristãos. A sua história desenvolveu-se ao longo de vários séculos, e a celebração a 1 de novembro foi estabelecida no Ocidente durante a Idade Média, embora a evolução da data tenha sido gradual e varie consoante o contexto histórico.

Ao Dia de Todos os Santos juntou-se a comemoração dos Fiéis Defuntos, celebrada a 2 de novembro, dedicada à memória dos mortos.

Na Europa medieval, estas datas passaram a fazer parte de um período em que a oração pelos falecidos, as visitas aos cemitérios e diferentes costumes populares se cruzavam.

A noite de 31 de outubro passou a ser conhecida em inglês como All Hallows’ Eve, ou seja, a véspera do Dia de Todos os Santos. A expressão foi abreviada ao longo do tempo até dar origem à palavra Halloween.

Isto significa que o próprio nome Halloween tem uma origem cristã, ainda que a celebração tenha incorporado costumes populares anteriores ou exteriores à tradição cristã.

Não devemos, por isso, simplificar a história dizendo que a Igreja simplesmente transformou o Samhain no Dia de Todos os Santos! A relação entre estas tradições é complexa…

Os costumes populares: alimentos, disfarces e lanternas

Ao longo da Idade Média e dos séculos seguintes, desenvolveram-se diferentes práticas populares associadas ao final de outubro e ao início de novembro.

Nas Ilhas Britânicas, por exemplo, existia o souling: pessoas, incluindo crianças e pessoas pobres, percorriam as casas e recebiam alimentos em troca de orações pelos mortos. Em algumas regiões, eram oferecidos pequenos bolos conhecidos como soul cakes.

Na Escócia e na Irlanda desenvolveram-se também costumes de disfarce e visitas de porta em porta, com variações entre comunidades e épocas.

As lanternas são outro elemento importante: na Irlanda, esculpiam-se nabos e colocavam-se luzes no interior. As caras assustadoras estavam ligadas a histórias populares e à intenção de afugentar ou enganar seres sobrenaturais.

Os alimentos também tinham um papel importante… Frutos secos, maçãs e outros produtos da colheita eram utilizados em refeições, jogos e adivinhas populares.

Estas tradições ajudam-nos a perceber que muitos dos elementos associados ao Halloween atual têm uma história anterior à sua versão comercial! E é importante mostrarmos e contarmos isso às crianças!

Como nasceu o Halloween das abóboras, dos esqueletos e do «doçura ou travessura»?

Durante o século XIX, muitos irlandeses e escoceses emigraram para a América do Norte, levando consigo costumes associados ao Halloween. Foi neste novo contexto que algumas tradições se transformaram. As abóboras, abundantes e mais fáceis de esculpir do que os nabos, tornaram-se o suporte preferido para as lanternas conhecidas como jack-o’-lanterns.

Ao longo do século XX, o Halloween foi adquirindo uma dimensão cada vez mais comunitária e comercial nos Estados Unidos. Os disfarces, as festas, as decorações, os filmes de terror e a prática de pedir doces de porta em porta tornaram-se elementos centrais da celebração. A prática moderna de pedir doces desenvolveu-se a partir de diferentes costumes, incluindo tradições britânicas e irlandesas de visitas de porta em porta, mas não deve ser entendida como uma simples reprodução de um único ritual antigo.

Através do cinema, da televisão, da publicidade e da cultura popular, este modelo americano espalhou-se internacionalmente. Hoje, podemos encontrar festas de Halloween em muitos países, mas isso não significa que as suas tradições locais tenham desaparecido ou que o Halloween tenha sido sempre celebrado da mesma maneira em todo o mundo!

É precisamente por isso que vale a pena olhar para cada país e descobrir aquilo que já existia antes da popularização desta versão moderna.

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